Em algum momento das pesquisas sobre a Suíça começaram a aparecer fotos que pareciam ter saído de um catálogo de viagens: trens vermelhos passando por viadutos de pedra, lagos alpinos com água azul intensa, montanhas cobertas de neve mesmo durante o verão.
Foi assim que chegamos ao Glacier Express e ao Bernina Express.
Antes de pesquisar, a impressão era de que os dois eram praticamente a mesma coisa. Dois trens panorâmicos atravessando os Alpes suíços.
Depois de algumas horas lendo sobre os dois, ficou claro que a semelhança termina muito antes do que parece.
O Glacier Express liga Zermatt a St. Moritz.
O Bernina Express liga Chur a Tirano.
Os dois atravessam paisagens espetaculares, mas a experiência proposta por cada um deles é bastante diferente.
O Glacier parece ter sido pensado como uma jornada. A viagem dura aproximadamente oito horas e atravessa uma enorme porção dos Alpes suíços. O destaque não é um único ponto específico. É a travessia como um todo. Quase todos os relatos descrevem a sensação de passar um dia inteiro observando a paisagem mudar lentamente pela janela.
O Bernina parece seguir uma lógica diferente. A viagem entre Chur e Tirano leva pouco mais de quatro horas e concentra alguns dos cenários mais fotografados da Suíça. É nele que aparecem lugares como o Lago Bianco, o trecho junto às geleiras e o famoso Viaduto Espiral de Brusio, onde o trem faz uma volta completa sobre si mesmo para perder altitude antes de chegar à Itália.
Uma coisa curiosa apareceu rapidamente durante as pesquisas. Muitas das imagens que costumam ser associadas genericamente aos “trens panorâmicos suíços” na verdade são do Bernina.
Quando alguém imagina um trem vermelho atravessando montanhas e viadutos em meio aos Alpes, há uma boa chance de estar imaginando uma foto feita na linha do Bernina.
Outro ponto que chamou atenção foi a duração. O Glacier consome praticamente um dia inteiro, já o Bernina ocupa metade desse tempo.
A princípioisso parece favorecer o Bernina, mas existe uma pegadinha. Chegar em Tirano não resolve o problema… no nosso caso, Tirano não está no roteiro, a ideia nunca foi seguir viagem pela Itália.
Isso significa que fazer apenas o trecho Chur → Tirano não faz muito sentido. Em algum momento seria necessário voltar para a Suíça.
Foi aí que surgiu uma possibilidade interessante… em vez de encarar o Bernina como um meio de transporte, tratá-lo como um passeio de um dia.
Podemos sair cedo de Chur, fazer a viagem até Tirano, almoçar na cidade e caminhar um pouco pelo centro histórico e depois retornar para Chur de tarde. Na prática, o passeio passaria a ocupar praticamente o dia inteiro, mas sem exigir mudanças relevantes no restante do roteiro.
Tirano não parece ser uma cidade que justificaria vários dias de visita, mas talvez justamente por isso funcione bem para uma parada de algumas horas. Um almoço italiano autêntico depois de cruzar os Alpes de trem tem um certo charme difícil de ignorar, não concorda?
O custo é outro ponto importante.
O Glacier normalmente custa quase o dobro do Bernina, mas existe um detalhe que aparece repetidamente nos fóruns e relatos de viagem. No Bernina, os trens regionais utilizam exatamente a mesma ferrovia: as montanhas são as mesmas, os viadutos são os mesmos, os lagos são os mesmos… A principal diferença está nos vagões e na necessidade de reserva. Por isso, muita gente faz um dos sentidos em trem regional e o outro no trem panorâmico.
Ainda não chegamos a uma conclusão definitiva sobre qual experiência faz mais sentido dentro do roteiro. O que as pesquisas mostraram até agora é que Glacier Express e Bernina Express não são versões maiores ou menores da mesma viagem. Eles parecem ter propostas diferentes.
Enquanto o Glacier é uma jornada ferroviária clássica pelos Alpes suíços, o Bernina é uma sequência quase ininterrupta de paisagens espetaculares que termina com um almoço na Itália antes de voltar para casa.
E talvez seja justamente isso que torna a decisão tão difícil.